Os cuidados com os juros das compras parceladas

Consumidor deve dar atenção às condições de ofertas das campanhas de fim de ano

Leticia Lopes leticia.lopes@oglobo.com.br

2023-11-19T08:00:00.0000000Z

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▶ Às vésperas da Black Friday e faltando pouco mais de um mês para o Natal — duas das principais datas do comércio —, varejistas brasileiras oferecem parcelamentos em até 36 vezes, com juros que passam de 42% ao ano (a taxa básica do país, a Selic, é 12,25%). Para especialistas, consumidores precisam prestar atenção nos números miúdos dos encargos cobrados, comparar ofertas e planejar os gastos para evitar o endividamento. O EXTRA simulou compras em algumas das principais varejistas do país. Um smartphone de R$ 4 mil, por exemplo, pode ser parcelado em até 18 vezes sem juros no Mercado Livre, caso o pagamento seja com o cartão Mercado Pago, fintech da marca, e alcança ainda 21 parcelas numa campanha especial para Black Friday em parceria com o Santander. Em outros cartões, o prazo cai para 12 meses, com juros a partir da décima primeira parcela. As taxas não estão disponíveis no site. Nas Casas Bahia e no Ponto, dá para parcelar o mesmo aparelho em até 36 e 24 meses, respectivamente, também com os cartões das marcas, e com a cobrança de juros que variam de 1,19% a 2,39% ao mês. Já na Americanas, o celular pode ser comprado parcelado em até 12 meses, com juros de 1,84% ao mês. A maior parte das ofertas informa o juro por mês, mas a coordenadora de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, recomenda buscar a taxa anual. Na Casas Bahia, por exemplo, o juro pode chegar a 42,4% ao ano no parcelamento com cartão de crédito. Com o cartão da rede, vai um pouco menos longe: 32,7% Para fugir das compras por impulso numa época de muita publicidade, pesquisa é essencial, diz a economista, já que as ofertas, parcelamentos e juros variam não só entre lojas, mas também de acordo com o tipo de pagamento. — Tornar a parcela menor, para “caber no bolso”, é arriscado. As propagandas vêm com um tom muito apelativo de benefícios, mas o consumidor tem de olhar para a fatura do cartão consciente de que a parcela vai comprometer a renda por um longo tempo. — O fato de tornar a parcela menor, para "caber no bolso', é arriscado. As propagandas vem com um tom muito apelativo de benefícios, mas o consumidor que entra numa operação como essa tem que olhar para a fatura do cartão e estar consciente que a parcela vai comprometer a renda futura por um longo tempo — diz. Ela cita, por exemplo, casos em que a loja “disfarça” a cobrança dos juros ofertando o produto de uma forma que o valor da parcela é parecido com o valor total, o que causa no consumidor a falsa impressão de que não há encargos. — Por exemplo, um produto de R$ 999, em parcelas de R$ 99, mas em 12 vezes, e não 10, o que mascara os juros embutidos ali e induz o consumidor a erro. São detalhes que o comércio acaba fazendo, pequenas armadilhas, e que muita gente cai — explica.

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