Método para aprender brincando

Protocolo de Harvard que chega ao Brasil é capaz de reduzir à metade problemas de conduta

contanca.tatsch Constança Tatsch

2023-11-19T08:00:00.0000000Z

2023-11-19T08:00:00.0000000Z

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BEM-VIVER

▶ Adultos que não sabem lidar com a frustração de um término de relação. Outros que não conseguem explicar o que estão sentindo. E ainda os que sucumbem ao prazer imediato. Gente hiperativa com dificuldades para focar nos estudos ou trabalho. Ou que desistem diante de um desafio. Todos esses problemas de imaturidade emocional podiam ser evitados se abordados na hora certa: a primeira infância. Muito se fala sobre os bebês, mas as crianças de até 6 anos têm um potencial de desenvolvimento socioemocional muitas vezes pouco divulgado e até subestimado. Novo método desenvolvido pela professora Stephanie Jones e o EASEL Lab da Faculdade de Educação da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, para melhorar essa aprendizagem das crianças na educação infantil, trabalhando aspectos como comportamento e concentração, está chegando ao Brasil. Aqui, o estudo liderado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), braço científico da Rede D’Or, foi realizado em colégios do estado do Rio ao longo de um ano letivo, buscando adaptar o método SEL Kernels para as crianças brasileiras. O objetivo é auxiliar no comportamento social das crianças e reduzir problemas de conduta, por meio de um protocolo de atividades simples e lúdicas, que podem ser implementadas pelos professores no dia a dia, sem precisar de recursos além do treinamento. A pesquisa, que contou com acadêmicos de Harvard, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e da UFRJ, foi realizada em quatro centros educativos públicos do estado (dois de Paraty e outros dois de Angra dos Reis), envolvendo 205 crianças de 3 a 5 anos. Outros 109 alunos compuseram um grupo de controle, que seguiu a grade pedagógica padrão. Os resultados, recentemente publicados, mostraram que as crianças participantes do programa tiveram melhorias significativas em diferentes áreas, como problemas de conduta (50% menos incidência de casos), hiperatividade (60% de redução) e problemas de relacionamento com colegas (55% menos).

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